sexta-feira, 20 de setembro de 2019



Foto # 01 de um dos muitos meteoritos encontrados na praia de Peroba - AL

O Cometa 1PHALLEY e as minhas observações vistas no céu de Pernambuco









Por Marco Valois

Corria o ano de 1986 e as minhas expectativas eram otimísticas em relação as minhas observações ao mais conhecido cometa da humanidade que eram as tentativas de observar o cometa 1PHalley.

Os meses de maio a setembro de 1986 eram, portanto, cruciais e bastante favoráveis à busca nos céus de Pernambuco, apesar do tempo chuvoso e as estradas encharcadas de barro vir a se constituir impedimentos, quase impossíveis à observação astronômica até mesmo do satélite natural da Terra, a Lua, quando muito do Sol.

Morávamos na Zona da Mata Sul de Pernambuco, em casa grande da então Usina Central Barreiros, (fechada) mais precisamente no Engenho Una, onde mesmo com chuvas dia sim e dia não, não tirava o meu ânimo e determinação para rastrear o cometa Halley. Seguiam-se os meses de maio, agosto e setembro de 1986.

  A) PRECIPITAÇÃO PLUVIOMÉTRICA E MEDIÇÃO

As precipitações pluviométricas, todas elas medidas num tubo para mensuração da quantidade de água me deixavam atento para observação em centímetros de chuva diária, e anotá-las todos os dias na tabela própria e adequada para mensurar os dias chuvosos, aonde, nas muitas das vezes nós tínhamos que ir até o pluviômetro e esvazia-lo para fazer, às vezes, duas mensurações durante o dia.

O pluviômetro era uma espécie de tubo de ensaio com marcação de 50 cm que eu posicionei no canto alto e isolado no jardim da casa grande com um toro de madeira de 1 m fincado no solo gramoso do jardim em seu segundo nível, dos três níveis do jardim da casa grande. Precisava medir a quantidade de água e improvisei. Achei o local adequado e sem obstáculos de edificações, nem árvores que viessem a impedir uma medida pluviométrica mais ou menos correta do inverno naquela localidade.

Para garantir, depois de uns tempos (dois meses), fui até a sede da tradicional Usina Central Barreiros, onde havia uma tabela igual a minha e pedi para verificar os números e dias de chuvas, o que combinavam exatamente com os meus.  Era o ápice para continuar na observação do cometa Halley, pois se o meu pluviômetro estava atual com os modernos equipamentos que existiam na Usina, próprios para medir os trabalhos agriculturáveis, tudo estava funcionando como um relógio nesse sentido para mim e a minha astronomia.

Tinha a meu dispor o tradicional Volkswagen de ano 1970, cor marrom claro, que servia à família em sua faina diária, a exemplo de levar os meninos na escola (Colégio São Jose dos Barreiros), a minha mulher ao trabalho, (Usina Central Barreiros), às compras no supermercado e a feira de verduras. Era tudo muito medido e o dinheiro não custeava outro meio mais moderno para as minhas observações, sempre feitas à noite, quando todos estavam em segurança em casa.

Também possuía uma luneta do tipo cânula, de plástico, com alcance 50x15, o que servia a contento, pois a escuridão rural era uma aliada as minhas observações. Depois, a observação a olho descoberto também servia a contento para focar as estrelas entre as densas nuvens que permeavam os céus do local.


 A)ÁREAS DE OBSERVAÇÕES

As áreas de observação eram diversificadas e mediam em quilômetros que variavam de 123 km a 23 km numa média aproximada. Num determinado dia resolvi subir uma montanha que havia no acesso central que levava ao Engenho Rio Una e para a nossa morada. A montanha situava-se à direita de quem vem do norte, Recife, com acesso em acesso a Vila Rio Una e para a cidade. A montanha média uns 35 m de altura por 60 m de comprimento. A usina utilizava-se dela para o plantio de cana-de açúcar. Para atingir o ponto mais alto da montanha eu tinha que dirigir em círculos sobre uma estrada rústica construída por tratores que circundava toda a montanha até chegar ao cume. A estrada de barro era plana e circular e não muito larga com o matagal de um lado e do outro, típica estrada da Zona da Mata Sul. Em meio à subida notei que  o carro num buraco comum, mas do lado do pricipício, o que aumentava mais o perigo de cair montanha abaixo bem na pista da PE-60. Sem hesitar, desci do carro com chuva fina e e com o matagal a me fustigar de um lado e do outro, onde o meu objetivo era de verificar qual a melhor maneira de me safar daquele perigoso atoleiro em que o carro se encontrava.Verifiquei ainda os quatros notei que havia um deles que estava escorregando no barro, sem apoio no solo para sair do barreiro. Achei ainda que, havia uma única saída para mim, que era calçar a estrada e o pneu com palhas de coqueiro e matos diversos, e foi o que fiz. Em seguida, entrei no carro, onde acelerei com decisão.

A aventura estva ficando perigosa e podia acabar com o único meio de transporte de propriedade da família e de extrema necessidade à manutençãoda rotina e das idas e vindas ao trabalho e escola ou feira.

Para garantir, depois de uns tempos (dois meses), fui até a sede da tradicional Usina Central Barreiros, onde havia uma tabela igual a minha e pedi para verificar os números e dias de chuvas, o que combinavam exatamente com os meus.  Era o ápice para continuar na observação do cometa Halley, pois se o meu pluviômetro estava atual com os modernos equipamentos que existiam na Usina, próprios para medir os trabalhos agriculturáveis, tudo estava funcionando como um relógio nesse sentido para mim e a minha astronomia.

Tinha a meu dispor o tradicional Volkswagen de ano 1970, cor marrom claro, que servia à família em sua faina diária, a exemplo de levar os meninos na escola (Colégio São Jose dos Barreiros), a minha mulher ao trabalho, (Usina Central Barreiros), às compras no supermercado e a feira de hortifruticulturas etc. Era tudo muito medido e o dinheiro não custeava outro meio mais moderno para as minhas observações, sempre feitas à noite, quando todos estavam em segurança em casa.

Também possuía uma luneta do tipo cânula, de plástico, com alcance 50x15, o que servia a contento, pois a escuridão rural era uma aliada as minhas observações. Depois, a observação a olho descoberto também serviam para focar as estrelas entre as densas nuvens que permeavam os céus do local.

                                     
  B)ÁREAS DE OBSERVAÇÃO


Num determinado dia resolvi subir uma montanha que havia na entrada que havia no acesso central para a nossa morada. Ela se situava à direita de quem vem com destino do Recife ao Engenho Una e media uns 35 m de altura por 60 m de cumprimento. A usina utilizava-se dela para o plantio de cana-de-açúcar. Mas, para atingir o ponto mais alto da montanha eu tinha que dirigir sobre uma estrada rústica construída por tratores em círculos até o cume. A estrada de barro era plana e circular e não muito larga com o matagal de um lado e do outro, estrada vicinal típica da Zona da Mata Sul. Em meio à subida, notei que o carro caiu num buraco comum, mas do lado do precipício, o que aumentava ainda mais o perigo de cair da montanha abaixo bem na pista da PE-60.  Sem hesitar, desci do carro com chuva fina e com o matagal a me fustigar de um lado e do outro com o objetivo de verificar qual a melhor maneira de me safar daquele perigoso atoleiro em que o carro se encontrava. Verifiquei que faltava um pouco menos que 1 metro para que o carro caísse montanha abaixo e ocasionasse um desastre de proporções. Verifiquei ainda os quatros pneus e notei que havia um deles, o que estava escorregando no barro, estava sem apoio no solo para sair do barreiro. Achei ainda que havia uma única saída para mim, que era calçar a estrada e o pneu com palhas de coqueiro e matos diversos e foi o que eu fiz. Em seguida, entrei no carro, onde acelerei com decisão.

A aventura estava ficando perigosa e podia acabar com o único meio de transporte de propriedade da família e de extrema necessidade à manutenção da rotina e de idas e vindas ao centro da cidade e ao Recife. Pois bem, acelerei ao máximo que pude e o carro saiu sacolejando perigosamente do atoleiro onde me encontrava o que me livrou do barranco e consegui continuar com o meu roteiro que era o alto da montanha mais uma das muitas áreas possíveis de ter uma melhor visão das vizinhanças e do horizonte distante e visível que eu percorria naqueles dias.

O cume da montanha era todo plano e cheio de palha de cana-de-açúcar. A área destinava-se ao cultivo e o caminho que percorri destinava-se às carroças quando apinhadas de cana-de-açúcar. Os agricultores trabalhavam com suas carroças de boi e desciam e subiam exatamente aonde eu atolei com o meu Volkswagen. Fiquei maravilhado com o que vi e nada tirava minha atenção para algumas estrelas que com esperança, ânimo e determinação observava com certa dificuldade a olho descoberto e a chuva a embaçar os meus olhos, tudo o que podia ou surgia no céu daquela noite.

Atestando que os astros giram em volta do sol, ficava mais orientado em direcionado minhas observações.

Do local, observei algumas constelações meio que encobertas por nuvens que poderiam ser da Gemenídeos ou dos Aquarídios. eram fortes indícios que me faziam acreditar que estava no caminho certo para observar o cometa Halley. Mas o receio da escuridão e de voltar no mesmo caminho, estreito e com precipício com um buraco no caminho, escondido por um matagal denso, afora a chuva fina que começava a aumentar e a se precipitar sobre mim, apressaram a minha decisão de sair do meu excelente posto de observação. Achei curioso e antes de descer a montanha anotei que existia no centro da mesma que havia quatro trilhos de trem fincados no chão, numa altura de 1 metro cada, unidos por quatro trilhos também de trem medindo aproximados 1 m (que os uniam no alto dos trilhos), formando uma estrutura forte e resistente, em que eu pensei que fossem para amarrar os gados das tradicionais carroças, enquanto os agricultores retiravam a cana-de-açúcar. Em suma, era uma paisagem estranha, escura, lúgubre, solitária e plana, com algumas palhas de cana-de-açúcar soltas no caminho. O solo era constituído de massapé e não havia possibilidades de atoleiros ou outra surpresa do gênero. Em minha opinião formavam um excelente sítio para observação estelar, o que para mim era tudo. A essa altura, talvez, esperava observar o próprio Halley! Devia ser o mês de maio, pois a usina ainda não moía. Também não havia um agricultor ou residência no cume da montanha, o que como citei, com o trabalho dos tratores que a aplainaram rigorosamente ficou um platô perfeito.

Mesmo estando em matagais e em área sujeita a possibilidade de assaltos, etc., nada era registrado no Posto Policial do tipo roubo ou assassinatos etc. Caminhar em áreas agriculturáveis naquela época em Barreiros e vizinhanças era o mesmo que estar em áreas residenciais e protegidas.

Tempos depois, a montanha foi passando por transformações e com ela a paisagem do bucólico Engenho Una. Essa mudança aconteceu uns vinte anos depois que nos mudamos de Barreiros e os trabalhos ficaram por conta da intensa dedicação dos serviços de terraplagem que foram efetuados exatamente na montanha onde estive com o intuito de observar a passagem do Halley. Os trabalhos plainaram a montanha até ela chegar ao nível do solo da estrada. Atualmente, em seu lugar foi construído um moderno hospital municipal e que atende a população a contento. 

Pesquisar em "plantations" reservou muitas surpresas para mim, a exemplo de: cavalgando a cavalo em meio ao canavial, dei de cara com uma pequena vila de quilombolas, ou o que parecia ser. Eram organizados e não falavam. Perguntei qual o melhor caminho para sair daquele imenso canavial e um deles apontou para o oeste.Também encontrei uma igreja em (ruínas), onde surgiu a primeira formação do que viria a ser hoje a cidade de Barreiros, segundo se lê no livreto do acadêmico Ruy Ayres Bello (Recife, 1986), in "História de um Monumento". Também, fiz caminhada até a aprazível praia (deserta) de Ponta de Pedras e Praia do Porto etc.

Foto 02 - Escritório residencial situado no Engenho Rio Una, Barreiros, PE
   














Os dias se passavam e com eles os meses. A chuva deu origem a uma cheia que impossibilitou o acesso a cidade de Barreiros através do caminho interno. Acesso mesmo somente através da PE-60 em sua via principal para a cidade. Foi uma cheia sem maiores consequências. Logo, o nível do rio chegou ao seu normal e a municipalidade mais a população deixaram tudo como antes.

Havia dias e semanas que o céu era uma festa de se observar. O céu estava coberto de estrelas e as constelações usuais surgiam a Leste, ao Sul, ou na abobada, a exemplo de: Escorpião, Orion, Crux (Cruzeiro do Sul), Volans, Hydra e Sextantis, e tantas outras. Estava chegando o mês de setembro.


C)CIDADE DE OLINDA (ALTO DA SÉ), BARREIROS, MARAGOGI (AL), PAULISTA (PE).

Nessa época, seguia com meus trabalhos com viva atenção para a minha escola de inglês, York Schools, situada no bairro de Boa Viagem, Recife, onde fazia questão de voltar para casa à noite, ou de ônibus (sempre no último horário noturno), às 19h00, ou quando podia, com o meu Volkswagen. Ficava a observar os céus numa vigilância atenta e agradável, mas sem sucesso. Corria o ano de 1980, e o escritório da minha escola era uma mistura de pedagogia de idiomas ou um escritório de estudos para observação astronômica. Porém, nos idos da década de 80, nada surgiu nos céus que denotasse a passagem do cometa Halley.

Costumava também ir até a cidade de Olinda, onde a sua tradição em astronomia era notável. Meus interesses iam para a abobada onde anteriormente (no início do século 20) existia um telescópio completo. Mas, estava sempre fechada. Também não havia nenhum equipamento astronômico naquele observatório tradicional, afora o antigo sítio de alvenaria destinado à observação. Eu não perdia as esperanças com minhas idas até a cidade de Olinda, Alto da Sé serviam para assentar minha luneta num local mais calmo e olhar os céus. Olinda, nos idos de 1980, era um centro de festas e encontro de jovens e artistas de todos os matizes.  

O alto da Sé, portanto, não era um local adequado para uma pesquisa cientifica em astronomia.

Mesmo assim, minhas idas e vindas àquela cidade eram também algo rotineiro, porém, desafortunadamente inadequado à observação do Halley. Havia muita gente, a poluição sonora e a poluição visual eram sempre uma constante e o tráfego no cume da Sé estava sempre engarrafado. Com o tempo abandonei as minhas observações naquele local. Um dia, fui até a Sé de Olinda e como sempre estava cheio de transeuntes e carros estacionados de um lado e do outro da via. Eram comuns esses estacionamentos naquela área. Ao mostrar o meu telescópio (luneta) para o pessoal em geral, tomei uma "urra" daqueles.
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Foto # 03 - Um dia de observações com sol forte. Marco Jr (esq), Marco Valois (Centro), Um amigo das vizinhanças.



C)A CHUVA DE METEORITOS DO HALLEY – LOTEAMENTO DA PRAIA DE PEROBA

Findo com a construção exatamente no dia 22/05/1990, os passeios e os veraneios mostravam-se uma constante em nossas vidas. O cometa Halley estava em época de surgir nos céus do Brasil e eu observava as constelações com vivo interesse. Até que um fim de tarde, por volta das 17h00, de 1985, eu e a família estávamos em casa assistindo televisão enquanto tomávamos o café noturno. Eu deitado no sofá da sala a olhar a ampla janela que havia combinado com Graça e o construtor ser maior do que as usuais, e tamanha não foi minha surpresa, que mesmo deitado e com a família em volta e da televisão ligada na programação do horário foi que notei umas espécies de “bolas” em velocidade a passar sob o meu campo de visão da janela da sala, algumas em direção a oeste, ao sul, outras vindas do alto, etc., depois outra e mais outra. Foi quando dei um grito e disse: “essas bolas de cor cinza com caldas meio que avermelhadas, amarelas, azuis ou cinzas, são meteoritos!”.

A minha experiência em astronomia vem de décadas e já faz parte da minha rotina e do conhecimento familiar e de alguns amigos. Sempre que pensava naquele encontro com o grupo de pessoas que estavam quase na pista em frente ao Forte de Pau Amarelo, Paulista, PE, tinha vontade de voltar ao lugar onde parei o carro, desci e fui conversar com o pessoal. 

Certa feita resolvi visitar aquela fortificação e o horário não passava das 11h00 do dia. Dessa vez estacionei até onde hoje existem umas casas antigas, não tão grandes, arborizadas e com algumas barracas que vendiam frutos do mar. Depois da passagem pelas casas, notei que o comércio popular estava fechado, era um dia de semana do qual não me recordo, encontrei-me com um pescador aparentando uns 30 anos, inteligente e, ao que parece, morador daquela praia. Perguntei sobre se ele “tinha visto algumas pedras coloridas vindas do céu”, e ele afirmou negativamente. Entretanto, já com a amizade feita, ele me falou que era pescador e que tinha encontrado uma grande pedra um pouco antes da faixa de arrecifes, uns 65 m. Fiquei curioso e perguntei mais sobre a pedra e a resposta foi um convite para irmos a nado ou de jangada que ele possuía e depois mergulharmos até descermos mar adentro uns 8 m a 12 m. Achei o convite excelente para as minhas pesquisas, porém, declinei da conversa do pescador, pois nado pouco ou quando estou numa embarcação também mergulho pouco, no máximo 1,5 m. Achei que não havia motivos para tantos riscos e sem avisar aos familiares. Agradeci e peguei a estrada de volta para casa. Acho que já tinha visto o principal para arriscar algo semelhante ou parecido com a órbita do cometa Halley que viesse aplacar a minha curiosidade com tal empreitada. Agradeci e complementei que qualquer dia poderia voltar e tentarmos fazer o trajeto com uma embarcação mais adequada. Esses encontros serviam para aprimorar o meu conhecimento sobre o avistamentos e quanto mais pudesse dirigir em áreas de possíveis órbitas do Halley era um indício que descartava ou anexava aos meus estudos.

Nessa época também estava escrevendo para uma revista em astronomia pioneira na internet. O editor-geral se chamava Hemerson Brandão, natural da cidade de Bragança Paulista, SP e os demais colaboradores eram de diversas cidades do país. Publiquei entre outros artigos sobre a minha experiência com o cometa Halley, mas com muita cautela e sem precipitações ou afirmações extremadas. É importante destacar que, já se passavam uns três anos da passagem do Halley e eu ainda estava pesquisando sua órbita, publicações, links da NASA, de uma digest internacional chamado de MeteorObs (Observadores internacionais). Tinha ainda uma série de anotações feitas por mim sobre esses e outros fenômenos do universo. Daí não querer ser taxativo sobre o que tinha visto nos céus de Maragogi, em especial de Alagoas.

Logo depois da chuva de meteoros proveniente do cometa Halley resolvi visitar o Centro de Ciências Exatas da Universidade Federal de Pernambuco. De imediato fui apresentado à coordenadora do curso de geologia, que era a área que me interessava naquela ocasião. Sabia anteriormente que eles tinham uma coleção de pedras coletadas em diversos lugares e estavam num armário situado no corredor que leva as salas de aula. Tudo simples, mas didaticamente colecionado.

Depois de apresentar as duas pedras que havia localizado em lugares diversos da praia de Peroba, ela me respondeu: “Você não quer que eu corte as suas pedras?”. Respondi negativamente. Ela então concluiu com o seguinte sobre mim: “Você não é a pessoa que da ‘corda aos patos’, não é?” Achei tudo de uma grosseria científica sem precedentes e nunca mais voltei aquele Centro de Estudos da UFPE, nem me recordo do nome da professora.



 D)AS OBSERVAÇÕES NA PRAIA DE PEROBA, AL.


Mas com o continuar em busca dos meteoritos, chamei a minha sogra, D. Georgete, Dra. Graça, minha mulher, e eu. Pois bem, essas eram as únicas pessoas àquela hora em casa e fomos até a praia com o objetivo de desvendar esse mistério celeste e tão próximo de nós. Naturalmente fomos com o tradicional Volkswagen de cor marrom. Seria mais rápido. O “fato é que houve “uma pequena relutância do pessoal: “eu não vou sair de casa há essa hora”, ou,” acho que isso não é nada”, etc., mas no final fomos os três até a orla da praia onde poderíamos ter uma observação melhor e com o testemunho de três pessoas.



Para minha surpresa, às 17h35, na linha do mar e com a preamar quase no máximo, nuvens escassas e noite sem lua foi que descortinei um dos maiores mistérios que a humanidade vem tentando desvendar e que estava se precipitando sob nossas cabeças ou no horizonte, no zênite, nas proximidades das constelações de Escorpião e de Orion, de Musca, de Pyxis, de Hydra etc., constelações usualmente vistas no céu da praia de Peroba, Maragogi, com tempo bom, naquele momento histórico para nós. Passamos cerca de 1 hora a observar aquela “Chuva de Meteoritos”, pois era tempo do Halley passar sob os céus do Brasil e eu estava confiante. Tenho certeza que o que o mais famoso cometa esperado pela humanidade estava de passagem por aquelas coordenadas. Para me orientar melhor, eu havia comprado e recebido das enciclopédias livretos, alusivos à passagem do Halley pelo Brasil, no Nordeste e em seu litoral. Depois, é característica científica comprovada sobre o cometa Halley liberar na sua passagem meteoros ou meteoritos em profusão, e ali estava a prova.



É importante salientar, que quando da chuva de meteoritos, não foi possível distinguir o cometa 1PHALLEY, mesmo com o céu escuro e excelente à observação astronômica. Nada se podia ver do Halley propriamente dito, nem da sua cauda, devido à profusão de meteoritos que clareavam o céu. Portanto, em ZRH, contei cerca de nove meteoritos por segundo/minuto! Perfazendo aproximados uns 100 meteoritos em uma hora, que se precipitaram no mar, na terra ou se extinguiram pela ablação quando da sua entrada na atmosfera terrestre antes de chegar ao solo. Para o meu azar de pesquisador, estávamos sem relógio, câmera fotográfica, luneta, nem telescópio. Mesmo assim, foi um júbilo científico ao qual fui premiado pela minha obstinação.

                                 

                                  Recife, 09 de setembro de 2019.

                                  

                                  Marco Aurélio de Valois Correia

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Bibliografia e referências

- Enciclopaedia MIRADOR Internacional, Publicações Lida, São Paulo – Rio            de Janeiro, Brasil.

- Enciclopaedia Barsa. Publicações Ltda, São Paulo – Rio de Janeiro, Brasil

- Folhetos, Catálogos e Livretos recebidos para assinantes das Enciclopaedia Barsa, quando da época da passagem do 1PHALLEY nos céus do Brasil.

- Bello, Ruy de Ayres - História de um Monumento, Recife, 1986.


- Cidades, municípios e vilarejos situados no litoral de Pernambuco em quilômetros percorridos com cálculos aproximados, onde pesquisei sobre o cometa 1PHALLEY.


01)Recife, PE  x Barreiros, PE = 110 km

02)Barreiros, PE  x São José da Coroa Grande, PE = 3 km 

03)São José da Coroa Grande, PE  x Praia de Peroba, Alagoas = 3 km

04)Praia de Peroba, Alagoas  x Cidade de Maragogi, Alagoas = 23 km
Janga, Paulista x Forte de Pau Amarelo = 3 km (duas vezes).

Total: 139 km levando-se em conta somente as viagens acima citadas.

Obs.01 - Ainda hoje se encontram meteoritos em diversos lugares na área da cidade de Maragogi ao Loteamento de Peroba, ambos situados no Estado de Alagoas.



N.B. - As minhas idas e vindas em observações nessas localidades, com objetivos do avistamento, foram diversas.

- Sites na internet:

a)MeteorObs (observadores internacionais de Meteoros e Meteoritos), facilmente encontrados na internet através dos mecanismos de busca do Google etc.

b) Primeira revista virtual em língua portuguesa macroCosmo. A Revista encerrou sua publicação e se encontra completa na internet através dos mecanismos de busca do Google etc.

- Sites e links da NASA que ainda servem em muito às minhas pesquisas.


F)Para conseguir rastrear o cometa 1PHALLEY percorreu aproximados quilômetros:


- Recife x barreiros = 110 km 

- Barreiros x São José da Coroa Grande = 3 km 

- São José da Coroa Grande x Praia de Peroba = 3 km 

- Praia de Peroba x Cidade de Maragogi = 23 km 

- Janga, Paulista x Forte de Pau Amarelo = 3 km.


Obs.01 - Total em quilômetros percorridos com base nas distâncias acima citadas: 142 km, perfazendo cerca de 10 cidades e lugarejos.

Obs.02 – Total de anos em observação aos céus do litoral pernambucano: Quatro anos, aproximadamente.

Obs.03 – Em visita ao telescópio situado no município de Floresta, Itacuruba, consegui ver um bólido em direção ao sol semelhante ao 1PHALLEY. Comigo estavam aproximados 50 alunos em final de curso de astronomia, promovido pelo CECINE da UFPE.

                                 

* MARCO VALOIS tem graduação e bacharelado em Jornalismo. Também possui diversos cursos em diferentes áreas. Possui conhecimento em inglês e espanhol, detém mais de 40 anos de experiência em observação astronômica, para tanto é autodidata.
  

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